Ir para o conteúdo principal

Edição de Terça-feira, 17 de abril de 2018.

Um outro ângulo sobre a "sucumbência pra cachorro" - Artigo de Guilherme Collin



Por Guilherme Collin,
advogado (OAB-RS nº 48.682)

 
Recentemente foi noticiado no Espaço Vital o caso de um advogado que traçou o paralelo entre os seus honorários e o custo de ração para cachorro. A resposta do bem remunerado magistrado não poderia ser mais ultrajante:  transcreveu um texto que aconselha pedir esmolas quando se estiver insatisfeito com seu trabalho.

Alguns dias atrás também foi noticiada uma pequena polêmica acerca dos vales alimentação recebidos pelos magistrados e questionados pela OAB. Mas sobre a necessidade de recebimento de vale alimentação, não houve nenhuma manifestação semelhante. Nenhum magistrado cogitou a hipótese de abandonar a toga e passar a pedir esmolas caso não recebesse o benefício. E a OAB não sugeriu que os magistrados trabalhassem por mero diletantismo.

Voltando à matéria publicada em 31 de julho passado, tem-se que é absolutamente impossível que o brilhante magistrado não tenha entendido a mensagem do advogado. Ele não está insatisfeito com seu trabalho! Mas está apontando o achatamento de seus honorários; nada além disso. Talvez até haja razões para insatisfação com o trabalho, mas não foi esta a discussão!

É provável que o magistrado tenha apenas presumido que o advogado estivesse insatisfeito com seu trabalho. Esta presunção até pode ter algum fundamento, pois os advogados, em geral, são os únicos que possuem prazos a cumprir; precisam explicar para os clientes as razões de uma sentença ou despacho levar meses para ser proferido;  eventualmente precisam explicar porque o juiz não foi encontrado no fórum em uma véspera de feriado.

Também quando alguém ajuíza uma ação no horário de plantão, o advogado, muitas vezes, precisa explicar ao cliente que o juiz está em casa, e não no fórum; precisa às vezes explicar porque o juiz mandou juntar um documento que já está nos autos.

Isso quando o cliente não lhe pergunta porque a sentença aborda uma série de questões não debatidas e deixa de apreciar os pedidos formulados.

Ao que tudo indica, o magistrado imaginou que o advogado estivesse insatisfeito com o trabalho, quando na realidade, o mesmo estava insatisfeito com os honorários daquele processo.

Porém, já que o douto desembargador pensa que o trabalhador descontente deve abandonar o trabalho, o mesmo magistrado poderia compartilhar este pensamento quando algum magistrado for à imprensa formular alguma crítica relacionada aos seus vencimentos ou à sua rotina de trabalho.

Talvez se os advogados recebessem vale alimentação e auxílio moradia os honorários de R$ 250,00 não seriam tão ultrajantes.

guilhermecollin@yahoo.com

Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Lesões corporais culposas graves ou gravíssimas em acidentes de trânsito

O julgador que pretender desprestigiar princípios constitucionais de interpretação em Direito Penal, e aplicar qualificadoras não cristalinamente esclarecidas, estará desrespeitando o princípio republicano da separação dos Poderes”. Artigo do advogado César Peres.

 

Que a voz da mulher seja ouvida!

Na política, as leis que protegem a distribuição de vagas entre candidatas e candidatos são insuficientes e não respeitadas. Há previsão de vagas, mas a visibilidade e os recursos necessários não lhes são alcançados, fazendo com que as candidatas ´morram na praia´, num jogo de faz de conta”.

O código da civilidade e da paz

O juiz diretor do Foro da Comarca de Pelotas, Marcelo Malizia Cabral, conclama os moradores de sua cidade a que “repensem suas condutas e ajam conforme pretende o pacto social, respeitando o próximo e o direito do próximo”.

Chargista Baggi – Jornal de Brasília

Leis que “legitimam” o auxílio-moradia?... Onde estão elas?

 

Leis que “legitimam” o auxílio-moradia?... Onde estão elas?

Um precedente ocorrido no RS e já julgado pelo Supremo em 1987, permite um alerta à sociedade que não tolera o privilégio imoral: as vantagens previstas no art. 65 da LOMAN - entre as quais está o malfadado penduricalho residencial - dependem de leis formais. Dos governadores para ajudar os respectivos juízes estaduais. Do Presidente da República para aquinhoar os juízes federais. Estas leis não existem! Artigo do advogado Marco Antonio Birnfeld (OAB-RS nº 6.477) e jornalista.