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Terça-feira, 25 Julho de 2017

Um outro ângulo sobre a "sucumbência pra cachorro" - Artigo de Guilherme Collin



Por Guilherme Collin,
advogado (OAB-RS nº 48.682)

 
Recentemente foi noticiado no Espaço Vital o caso de um advogado que traçou o paralelo entre os seus honorários e o custo de ração para cachorro. A resposta do bem remunerado magistrado não poderia ser mais ultrajante:  transcreveu um texto que aconselha pedir esmolas quando se estiver insatisfeito com seu trabalho.

Alguns dias atrás também foi noticiada uma pequena polêmica acerca dos vales alimentação recebidos pelos magistrados e questionados pela OAB. Mas sobre a necessidade de recebimento de vale alimentação, não houve nenhuma manifestação semelhante. Nenhum magistrado cogitou a hipótese de abandonar a toga e passar a pedir esmolas caso não recebesse o benefício. E a OAB não sugeriu que os magistrados trabalhassem por mero diletantismo.

Voltando à matéria publicada em 31 de julho passado, tem-se que é absolutamente impossível que o brilhante magistrado não tenha entendido a mensagem do advogado. Ele não está insatisfeito com seu trabalho! Mas está apontando o achatamento de seus honorários; nada além disso. Talvez até haja razões para insatisfação com o trabalho, mas não foi esta a discussão!

É provável que o magistrado tenha apenas presumido que o advogado estivesse insatisfeito com seu trabalho. Esta presunção até pode ter algum fundamento, pois os advogados, em geral, são os únicos que possuem prazos a cumprir; precisam explicar para os clientes as razões de uma sentença ou despacho levar meses para ser proferido;  eventualmente precisam explicar porque o juiz não foi encontrado no fórum em uma véspera de feriado.

Também quando alguém ajuíza uma ação no horário de plantão, o advogado, muitas vezes, precisa explicar ao cliente que o juiz está em casa, e não no fórum; precisa às vezes explicar porque o juiz mandou juntar um documento que já está nos autos.

Isso quando o cliente não lhe pergunta porque a sentença aborda uma série de questões não debatidas e deixa de apreciar os pedidos formulados.

Ao que tudo indica, o magistrado imaginou que o advogado estivesse insatisfeito com o trabalho, quando na realidade, o mesmo estava insatisfeito com os honorários daquele processo.

Porém, já que o douto desembargador pensa que o trabalhador descontente deve abandonar o trabalho, o mesmo magistrado poderia compartilhar este pensamento quando algum magistrado for à imprensa formular alguma crítica relacionada aos seus vencimentos ou à sua rotina de trabalho.

Talvez se os advogados recebessem vale alimentação e auxílio moradia os honorários de R$ 250,00 não seriam tão ultrajantes.

guilhermecollin@yahoo.com

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