Ir para o conteúdo principal

Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

As mazelas da acultura da superficialidade


Artigos Por Luiz R. N. Padilla,
professor da UFRGS e advogado (OAB/RS nº 16.697)

 
Os recentes artigos dos colegas João Francisco Rogowski e Joaquim Falcão, entre tantas reclamações, cada vez mais frequentes, refletem a insatisfação com esse fenômeno acultural de viver superficialmente, e suas mazelas: o vício da improcedência, indenizações pífias e honorários aviltantes.
 
Já registrara o Espaço Vital - em artigo que escrevi - que a encenação jurisdicional começou nos anos noventa.
 
Há 20 anos, os juízes usavam um mês de seus dois de férias para produzir dezenas de sentenças. Ponderar a razão? Mensurar valores? Demora e consome energia! Hoje, o que um experiente juiz precisava um mês, um imaturo estudante faz numa tarde com ´modelões´ e desculpas. Na pressa, sequer folheia, e "era isso".´..
 
Se não houver alguém importante e do círculo de influência a pedir o exame, a praxe é essa, ninguém examina p... nenhuma. O jurisdicionado que vá catar coquinhos! Descarga de consciência? "Se não for isso, recorrem e o tribunal corrige."
 
Risos! Ali também chegou o vício do "achismo". Faz-se seis ou mais recursos até encontrar quem se digne a examinar (REsp nº 13703/RS).

A linha de frente do Judiciário é constituída de jovens que se consideram modernos. Contudo, exalam os ares fétidos da decadência do Império Romano: "Carpe diem!" Acreditam poder não haver amanhã! Cresceram sob o bombardeio de falsas crenças, estímulo à inveja, ao sexismo e egocentrismo. Sofrendo sobrecarga de “informações” irrelevantes, incompletas e distorcidas pela mídia que mistura de realidade, ficção e imagens manipuladas e apologia o aparentar, a superficialidade, e a pseudo-reflexão.
 
Acham "normal" a pressa de viver o presente até o esgotamento, e inverter valores. Como podem achar normal decidir sem ponderar nem estudar? Falta alguém os acordar desse torpor.
 
Quem luta contra, sofre desrespeito, repetidas vezes. Humano, perde a paciência... Ai, invertem os valores! A vítima, é escorraçada! As pessoas bem intencionadas têm sido jogadas, umas contra as outras, por distorções da realidade, preconceitos, bullying, difamações, assédio, ameaças e medo, muito medo e abuso de poder! Percebi o nascimento do fenômeno, como registrou o Espaço Vital em 6 de julho de 2005 ("Desrespeito aos idosos, aos jovens e a todos").
 
Não consegui ser muito claro, porque sofria um intenso assédio na PGE-RS, em represália por combater a corrupção. Sobrecarregado com três vezes mais processos do que os meus colegas de equipe. Um dos procuradores de melhor desempenho na defesa judicial, e que jamais causou prejuízo ao interesse público, demitido sem direito a recurso suspensivo, sob um pretexto. Enquanto outro procurador, envolvido no escândalo do Detran, e preso por corrupção, foi aposentado com proventos integrais!
 
No mandado segurança nº 70018675462, a represália, prometida. Após sete embargos de declaração questionando a desculpa, inventada, pelo relator para obter maioria. aposentou-se. Concluso um ano, o novo ameaçou multa por má-fé. Recurso Ordinário, no STJ. Acessem o link.
 
Causas da corrupção, morosidade da justiça e violência? Vejam em meu blog - o link vai indicado mais adiante.
 
luizrobertonunesos@padilla.adv.br

......................

* Veja no Youtube - Palestra de Mário Sérgio Cortella
 
* Causas da corrupção, morosidade da justiça e violência - Blog do autor deste artigo

Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Uber: a eficácia da livre concorrência

Os serviços de táxi não são serviços públicos, logo não estão sob monopólio. E por serem serviços privados estariam inseridos dentro da ideia do princípio da livre concorrência”. Artigo da advogada Clarissa Felipe Cid.

Lula e os judeus

Na ocasião da posse do Sindicato dos Bancários do ABC, o ex-presidente da República comparou as críticas que o PT e a esquerda vêm sofrendo com a perseguição feita aos judeus pelos nazistas”. Artigo do juiz federal Hugo Otávio Tavares Vilela.

Ousadia judicial

Como advertiu o mestre Piero Calamandrei, “há mais coragem no magistrado em ser justo parecendo injusto, do que em ser injusto para salvaguardar as aparências de justiça". Artigo da advogada Kátia Tavares.

O Código Divino

Aquele que tiver pensamentos positivos irá atrair para si o mesmo tipo de frequência, ao passo que quem tiver com pensamentos negativos receberá do universo a mesma carga negativa”. Artigo do advogado Mauricio Antonacci Krieger (OAB-RS nº 73.357).

Em estado de emergência !?

A crise se agrava, como se fosse uma enchente sem fim. E quando a água baixar, não sabemos em qual estado estará o nosso país”. Artigo de Lucas Carini, assessor jurídico em escritório de advocacia.

Uma apreciável inovação no TJ gaúcho

Ação judicial paga sem a necessidade de sentença. Recursos públicos preservados. E honorários advocatícios recebidos. A isso se denomina sabedoria, força e até mesmo beleza”. Artigo do advogado Telmo Schorr (32.158), membro da Comissão de Precatórios da OAB-RS.