Ir para o conteúdo principal

Quinta-feira , 23 de Fevereiro de 2017

As mazelas da acultura da superficialidade



Artigos
Por Luiz R. N. Padilla,
professor da UFRGS e advogado (OAB/RS nº 16.697)

 
Os recentes artigos dos colegas João Francisco Rogowski e Joaquim Falcão, entre tantas reclamações, cada vez mais frequentes, refletem a insatisfação com esse fenômeno acultural de viver superficialmente, e suas mazelas: o vício da improcedência, indenizações pífias e honorários aviltantes.
 
Já registrara o Espaço Vital - em artigo que escrevi - que a encenação jurisdicional começou nos anos noventa.
 
Há 20 anos, os juízes usavam um mês de seus dois de férias para produzir dezenas de sentenças. Ponderar a razão? Mensurar valores? Demora e consome energia! Hoje, o que um experiente juiz precisava um mês, um imaturo estudante faz numa tarde com ´modelões´ e desculpas. Na pressa, sequer folheia, e "era isso".´..
 
Se não houver alguém importante e do círculo de influência a pedir o exame, a praxe é essa, ninguém examina p... nenhuma. O jurisdicionado que vá catar coquinhos! Descarga de consciência? "Se não for isso, recorrem e o tribunal corrige."
 
Risos! Ali também chegou o vício do "achismo". Faz-se seis ou mais recursos até encontrar quem se digne a examinar (REsp nº 13703/RS).

A linha de frente do Judiciário é constituída de jovens que se consideram modernos. Contudo, exalam os ares fétidos da decadência do Império Romano: "Carpe diem!" Acreditam poder não haver amanhã! Cresceram sob o bombardeio de falsas crenças, estímulo à inveja, ao sexismo e egocentrismo. Sofrendo sobrecarga de “informações” irrelevantes, incompletas e distorcidas pela mídia que mistura de realidade, ficção e imagens manipuladas e apologia o aparentar, a superficialidade, e a pseudo-reflexão.
 
Acham "normal" a pressa de viver o presente até o esgotamento, e inverter valores. Como podem achar normal decidir sem ponderar nem estudar? Falta alguém os acordar desse torpor.
 
Quem luta contra, sofre desrespeito, repetidas vezes. Humano, perde a paciência... Ai, invertem os valores! A vítima, é escorraçada! As pessoas bem intencionadas têm sido jogadas, umas contra as outras, por distorções da realidade, preconceitos, bullying, difamações, assédio, ameaças e medo, muito medo e abuso de poder! Percebi o nascimento do fenômeno, como registrou o Espaço Vital em 6 de julho de 2005 ("Desrespeito aos idosos, aos jovens e a todos").
 
Não consegui ser muito claro, porque sofria um intenso assédio na PGE-RS, em represália por combater a corrupção. Sobrecarregado com três vezes mais processos do que os meus colegas de equipe. Um dos procuradores de melhor desempenho na defesa judicial, e que jamais causou prejuízo ao interesse público, demitido sem direito a recurso suspensivo, sob um pretexto. Enquanto outro procurador, envolvido no escândalo do Detran, e preso por corrupção, foi aposentado com proventos integrais!
 
No mandado segurança nº 70018675462, a represália, prometida. Após sete embargos de declaração questionando a desculpa, inventada, pelo relator para obter maioria. aposentou-se. Concluso um ano, o novo ameaçou multa por má-fé. Recurso Ordinário, no STJ. Acessem o link.
 
Causas da corrupção, morosidade da justiça e violência? Vejam em meu blog - o link vai indicado mais adiante.
 
luizrobertonunesos@padilla.adv.br

......................

* Veja no Youtube - Palestra de Mário Sérgio Cortella
 
* Causas da corrupção, morosidade da justiça e violência - Blog do autor deste artigo


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

   Querem pegar as cerejas do nosso bolo!

 

Querem pegar as cerejas do nosso bolo!

“A advocacia é um ofício essencial à administração da Justiça. E se não lutarmos pela observância dos preceitos éticos que a instruem, a mecanização dos atos judiciários, a banalização da vida e do trabalho e as novas tecnologias só vão contribuir para o esvaziamento e o descrédito daqueles que trabalham para entregar direitos a sujeitos que nunca deviam tê-los perdido”. Artigo da advogada Ingrid Birnfeld.

O caderninho do juiz

É importante que os jovens advogados vejam a situação que irão enfrentar em suas carreiras, mormente os corajosos”. Artigo do advogado Dartagnan Costa.

Primeiro ano do novo Código de Processo Civil

A retirada da palavra ´livre´, quando trata da apreciação da prova pelos juízes, no art.  371, é providência que passará para a história, como iniciativa destituída de conteúdo”. Artigo de Ricardo Carvalho Fraga, desembargador do TRT-4.

Folha de SP publica artigo de Eduardo Cunha

O polêmico deputado cassado – ora preso em Curitiba (PR) - escreve texto intitulado “O juiz popular”. Ele diz ser “bom deixar claro para a sociedade que a minha segurança e a dos demais presos cautelares é de responsabilidade do juiz Sergio Moro”.