
Arquivo ETC - Reprodução Veja

Caberá ao escritor Fábio Fabrizio Fabretti, que assina biografias de figuras tão díspares quanto Glória Pires e Neusinha Brizola, ser o ghost-writer de uma mulher com sede de justiça. Rosane faz mistério sobre o que tem de mais bombástico a revelar em suas memórias. "Vão ter que comprar o livro", desconversa.
As informações são da Folha de S. Paulo, em matéria assinada pela jornalista Eliane Trindade. "Será o testemunho de uma ex-mulher desapontada com o homem e com o político" - avalia o jornal. A seu turno, Rosane compara: "Fernando foi o grande amor da minha vida e também a minha grande decepção". Os dois não se falam desde a saída de Collor de casa, há sete anos, quando teve início o divórcio litigioso.
A ex-primeira-dama, que se orgulha da lealdade no momento da queda, é crítica quanto à recente proximidade do ex-marido com inimigos históricos. "Política é exatamente isto. É Lula junto com Collor. É Collor junto com Renan Calheiros."
Rosane conta que votou em Dilma, apesar de nunca ter sido eleitora de Lula, "mas, no final, ele conseguiu fazer um bom trabalho".
E o escândalo do mensalão? Rosane diz que "houve no governo FHC também - e acho que em todos vai acontecer."
Afastada por suspeita de corrupção do posto de presidente da Legião Brasileira de Assistência no governo do ex-marido, Rosane exibe como atestado de idoneidade o fato de ter sido absolvida pelo STF.
Ela não descarta a possibilidade de voltar a Brasília como deputada federal, pelo Partido Verde. "Tá uma coisa de ´stand by´. Já pensou? Fernando no Senado e eu, como federal? Seria uma boa ideia. Tá no horizonte."
O poder da briga entre Fernando e o irmão Pedro, que deu origem à CPI do Collor, vai receber um capítulo. "Eu olho aquilo pelo lado da inveja. Caim matou Abel por inveja. O mundo tá cheio disso. É o final dos tempos."
"Levava vida de rainha. De uma hora pra outra perdi tudo. Não tenho 10% do que eu tinha. Tive que cortar viagens, roupas de grifes, 90% dos supérfluos" - admite.
Mora de favor em um imóvel de Collor: um casarão, no estilo colonial, com piscina e amplos jardins, no bairro de Serraria, em Maceió. A residência já teve melhores dias. "Precisa de manutenção, mas tenho que decidir se invisto em mim ou na casa". Ela tem direito a segurança e motorista.
Ela admite que o baque material e emocional a levou à lona. "Eu não sabia o que era depressão. Achava frescura até acontecer comigo. Superei a crise sem remédios. A minha cura foi buscar Jesus".
Crente fervorosa, a companheira do ex-presidente por 22 anos diz que a proteção divina a livrou também da maldição do impeachment, que vitimou Pedro Collor e PC Farias, entre outros. "Eu e a ex-mãe-de-santo do Fernando, a Cecília, somos as únicas que estamos vivas para contar a história porque aceitamos Jesus e somos evangélicas."
Na primeira fileira do culto da última quarta-feira, Rosane erguia as mãos e dava glória a Deus, sob o incentivo da missionária Maria Tavares, confidente e guru.
Está sozinha desde que terminou um namoro há quatro meses. Apesar disso, não desistiu da maternidade, mesmo diante do insucesso de dois processos de fertilização quando era casada.
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