Sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Biografia de Rosane Collor vai contar sua versão do impeachment

Diversos   |   Publicação em 28.05.12

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Rosane Collor vai lançar ainda este ano uma biografia com ingredientes que acredita ter potencial de best-seller. Duas décadas depois do impeachment de Fernando Collor, a ex-primeira-dama pretende dar a sua versão de alguns dos acontecimentos mais surpreendentes da história recente do país. "Quero contar o meu lado, como me senti, como ele se sentiu, as mentiras, onde estava a vaidade".

Caberá ao escritor Fábio Fabrizio Fabretti, que assina biografias de figuras tão díspares quanto Glória Pires e Neusinha Brizola, ser o ghost-writer de uma mulher com sede de justiça. Rosane faz mistério sobre o que tem de mais bombástico a revelar em suas memórias. "Vão ter que comprar o livro", desconversa.

As informações são da Folha de S. Paulo, em matéria assinada pela jornalista Eliane Trindade. "Será o testemunho de uma ex-mulher desapontada com o homem e com o político" - avalia o jornal. A seu turno, Rosane compara: "Fernando foi o grande amor da minha vida e também a minha grande decepção". Os dois não se falam desde a saída de Collor de casa, há sete anos, quando teve início o divórcio litigioso.

A ex-primeira-dama, que se orgulha da lealdade no momento da queda, é crítica quanto à recente proximidade do ex-marido com inimigos históricos. "Política é exatamente isto. É Lula junto com Collor. É Collor junto com Renan Calheiros."

Rosane conta que votou em Dilma, apesar de nunca ter sido eleitora de Lula, "mas, no final, ele conseguiu fazer um bom trabalho".

E o escândalo do mensalão? Rosane diz que "houve no governo FHC também - e acho que em todos vai acontecer."

Afastada por suspeita de corrupção do posto de presidente da Legião Brasileira de Assistência no governo do ex-marido, Rosane exibe como atestado de idoneidade o fato de ter sido absolvida pelo STF.

Ela não descarta a possibilidade de voltar a Brasília como deputada federal, pelo Partido Verde. "Tá uma coisa de ´stand by´. Já pensou? Fernando no Senado e eu, como federal? Seria uma boa ideia. Tá no horizonte."

O poder da briga entre Fernando e o irmão Pedro, que deu origem à CPI do Collor, vai receber um capítulo. "Eu olho aquilo pelo lado da inveja. Caim matou Abel por inveja. O mundo tá cheio disso. É o final dos tempos."

"Levava vida de rainha. De uma hora pra outra perdi tudo. Não tenho 10% do que eu tinha. Tive que cortar viagens, roupas de grifes, 90% dos supérfluos" - admite.

Mora de favor em um imóvel de Collor: um casarão, no estilo colonial, com piscina e amplos jardins, no bairro de Serraria, em Maceió. A residência já teve melhores dias. "Precisa de manutenção, mas tenho que decidir se invisto em mim ou na casa". Ela tem direito a segurança e motorista.

Ela admite que o baque material e emocional a levou à lona. "Eu não sabia o que era depressão. Achava frescura até acontecer comigo. Superei a crise sem remédios. A minha cura foi buscar Jesus".

Crente fervorosa, a companheira do ex-presidente por 22 anos diz que a proteção divina a livrou também da maldição do impeachment, que vitimou Pedro Collor e PC Farias, entre outros. "Eu e a ex-mãe-de-santo do Fernando, a Cecília, somos as únicas que estamos vivas para contar a história porque aceitamos Jesus e somos evangélicas."

Na primeira fileira do culto da última quarta-feira, Rosane erguia as mãos e dava glória a Deus, sob o incentivo da missionária Maria Tavares, confidente e guru.

Está sozinha desde que terminou um namoro há quatro meses. Apesar disso, não desistiu da maternidade, mesmo diante do insucesso de dois processos de fertilização quando era casada.

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Marco Antonio Birnfeld formou-se advogado em 1971, pela PUC-RS. Foi em 1983 o primeiro juiz leigo dos Juizados Especiais de Porto Alegre, na época chamados de Juizados das Pequenas Causas. Atuar ali (graciosamente) significava "prestar relevante serviço público". Em um ano na função, alcançou o expressivo índice de 82% de conciliações.

Em 1º de janeiro de 2014 completou dez anos de exercício no cargo de conselheiro seccional da OAB-RS - mandatos alcançados em quatro eleições sucessivas.

Abandonou a Advocacia contenciosa em 2012, decepcionado com "o crescimento jurisdicional da estagiariocracia". Reside à beira-mar em Itajaí (SC), mas mensalmente está em Porto Alegre, para atender compromissos com a Ordem gaúcha.

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