Terça-feira, 16 de dezembro de 2014

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Uma fotografia: mil palavras - Artigo de Ivar Hartmann

Artigos   |   Publicação em 24.04.12

O Dia.Ig.com.br

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Junto com Lula estavam o deputado Sarney Filho (primeiro à direita), seguido dos senadores Renan Calheiros e Gim Argello. À esquerda, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (cortado) e o médico Raul Cutait.


Por Ivar Hartmann,
promotor de justiça (RS) aposentado.


Alguém criou a expressão: uma fotografia vale por mil palavras.

Que o diga Ita Kirsch, festejado fotógrafo brasileiro, que ao longo dos anos vem percorrendo o Brasil, fotografando seu povo e suas paragens, em uma missão que agora parece corriqueira, mas que daqui a 50 anos será indispensável à consulta, a quem quiser conhecer o Brasil do fim do Século XX, início do XXI.

A foto referida no título é recente e emblemática. De uma força de expressão que só a casualidade permite. A maioria dos leitores deve ter visto, mas gostaria de analisá-la.

Vejam: em um quarto de hospital de São Paulo, foram fotografados o senador Renan Calheiros - aquele que paga a amante com nosso imposto; o senador acamado José Sarney - aquele que um livro seria pouco para enumerar o que cometeu junto com seus familiares; e o ex-presidente Lula: aquele que escapou do escândalo do mensalão, graças ao patrocínio dos outros dois e à mediocridade da oposição.

É uma fotografia de causar inveja aos luminares desta arte. Porque conseguiu reunir em um mesmo ambiente três das figuras mais maquiavélicas do país, em torno dos quais gravitam todos os escândalos desta geração. Por ação. Por omissão. Foram os grandes artífices de uma nação em que tudo é permitido, em que ninguém é condenado, em que o Congresso Nacional e os Ministérios tornaram-se mercado ao varejo de vilanias.

Na cama Sarney. De cada lado, cada um de seus camaradas: Lula e Renan. A cama, centro da foto é o próprio retrato de um país enfermo, cansado, vilipendiado, sofrido. O trio que, aos olhos da imprensa ou nas sombras próprias dos lupanares, organizou vários dos maiores esquemas de corrupção do mundo. Profissionais de respeito nesta arte.

Talvez o Brasil possa melhorar. Talvez seja possível com Sarney doente e Lula sem garantia de saúde. Talvez seja possível com a limpeza que Dilma está fazendo entre ministros, secretários e diretores de órgãos públicos federais. Talvez seja possível com a corregedora do Conselho Nacional de Justiça que está perseguindo desembargadores e juízes envolvidos com a riqueza fácil, advindas da venda de sentenças espúrias.

Talvez seja possível com a CPI criada para tirar a limpo a vida de governadores, senadores e deputados da situação e oposição. E das empreiteiras que enriquecem distribuindo dinheiro aos executivos públicos. Talvez.

O leitor acredita?

ivarhartmann@terra.com.br
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Marco Antonio Birnfeld formou-se advogado em 1971, pela PUC-RS. Foi em 1983 o primeiro juiz leigo dos Juizados Especiais de Porto Alegre, na época chamados de Juizados das Pequenas Causas. Atuar ali (graciosamente) significava "prestar relevante serviço público". Em um ano na função, alcançou o expressivo índice de 82% de conciliações.

Em 1º de janeiro de 2014 completou dez anos de exercício no cargo de conselheiro seccional da OAB-RS - mandatos alcançados em quatro eleições sucessivas.

Abandonou a Advocacia contenciosa em 2012, decepcionado com "o crescimento jurisdicional da estagiariocracia". Reside à beira-mar em Itajaí (SC), mas mensalmente está em Porto Alegre, para atender compromissos com a Ordem gaúcha.

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