Terça-feira, 29 de julho de 2014


"Homem mais procurado do mundo" passa a ser um acusado de pornografia infantil

Internacional   |   Publicação em 13.04.12


Como o FBI decide quem entra na sua lista de suspeitos mais procurados?
 
A pergunta veio à tona nesta semana, quando a polícia federal americana informou que o lugar antes ocupado por Osama Bin Laden passou a ser ocupado por um acusado de pornografia infantil.

Bin Laden, idealizador dos ataques de 11 de Setembro, era o extremista mais procurado no mundo até sua morte, em maio do ano passado, durante uma operação americana no Paquistão.

Já Eric Justin Toth, de 30 anos, não é acusado de matar ninguém, mas sim de "possuir e produzir pornografia infantil". O ex-professor está foragido desde 2008, quando foi indiciado em âmbito federal após material pornográfico ter sido encontrado em uma câmera de fotos que ele havia usado em sua escola.

O FBI buscou Toth pelos Estados de Illinois, Indiana e Arizona, mas perdeu a trilha do suspeito. Por isso, na última terça-feira (10) adicionou Toth à lista de dez mais procurados, tirando dela Bin Laden.

"Sempre contamos com o apoio público para ajudar a capturar fugitivos e solucionar casos", disse em comunicado o porta-voz do FBI, Mike Kortan. "A inclusão de Eric Toth na lista de dez mais ilustra como é importante tirar esse indivíduo das ruas e prendê-lo."

O FBI começou a produzir a lista de "Dez Mais Procurados" em 1950, quando um repórter pediu ao organismo os nomes e as descrições dos "caras mais durões" que estavam foragidos. Desde então, a lista se tornou um sucesso de publicidade, dizem policiais.

Dos 495 homens e mulheres que figuraram na compilação nas últimas seis décadas, 465 foram capturados ou localizados. Desses, 153 foram presos a partir de pistas dadas por pessoas comuns, diz o FBI.

Para ser incluído na lista, é preciso que haja um mandado de prisão federal para o indivíduo e que este seja considerado "uma ameaça à sociedade" - alguém com a suposta capacidade de provocar danos se continuar foragido.

O homem ou a mulher da lista tem de ser considerado "mau" o suficiente para valer uma recompensa de centenas de milhares de dólares por pistas de seu paradeiro.

Também é preciso que os agentes encarregados da busca tenha exaurido outras pistas e acreditem que a publicidade vai ajudar a encontrar o fugitivo (há casos em que fugitivos não são adicionados à lista porque as autoridades creem que a publicidade pode fazê-los se esconderem ainda mais).

Nos anos 1960 e 70, por exemplo, figuraram na lista radicais antiguerra do Vietnã adeptos da violência, como Bernardine Dohrn, Katherine Power e Leo Burt.
 
Nos anos 1990, a compilação passou a contar com extremistas internacionais. E nos anos 2000 foi a vez de acusados de pedofilia e pornografia infantil serem listados.

"É claro que isso não engloba todas as prioridades do FBI", diz Fox. "Contrainteligência - por exemplo, operações sigilosas - não é um tema investigativo que se adeque à lista dos ´Dez Mais Procurados´."

Os fugitivos saem da lista quando são capturados, mortos ou se deixam de ser considerados uma ameaça à sociedade.

Ao longo dos anos, seis procurados se encaixaram nessa última categoria - por exemplo, os ativistas antiguerra do Vietnã que eram acusados de atos violentos e conseguiram escapar até chegarem à meia-idade.

O FBI demorou 11 meses para substituir Bin Laden. E, até ontem (12), o acusado de assassinato James "Whitey" Bulger ainda figurava na lista, apesar de já ter sido capturado em junho do ano passado.
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Marco Antonio Birnfeld formou-se advogado em 1971, pela PUC-RS. Foi em 1983 o primeiro juiz leigo dos Juizados Especiais de Porto Alegre, na época chamados de Juizados das Pequenas Causas. Atuar ali (graciosamente) significava "prestar relevante serviço público". Em um ano na função, alcançou o expressivo índice de 82% de conciliações.

Em 1º de janeiro de 2014 completou dez anos de exercício no cargo de conselheiro seccional da OAB-RS - mandatos alcançados em quatro eleições sucessivas.

Abandonou a Advocacia contenciosa em 2012, decepcionado com "o crescimento jurisdicional da estagiariocracia". Reside à beira-mar em Itajaí (SC), mas mensalmente está em Porto Alegre, para atender compromissos com a Ordem gaúcha.

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