Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Romance forense

Adivinhem o nome da praia!...

Romance forense   |   Publicação em 27.03.12


O ambiente é uma aprazível praia nordestina. Os personagens não são turistas, mas três nativos dali: 1) Marisa, camareira de um conceituado resort; 2) Samuel, suboficial da Marinha; 3) e Jackie que trabalha como guia turística. Os nomes, aqui, são fictícios.

Numa tarde do verão, reformulada a escala de trabalhos do resort, Marisa foi liberada mais cedo, com o compromisso de, no dia seguinte, apresentar-se duas horas antes. Chegando em casa, ao girar a chave na porta, a camareira escutou sussurros vindos do quarto do casal. Nada levando-a a acreditar que estivesse a dois passos de constatar um adultério - ela chegou a supor que sua casa tivesse sido invadida.

Marisa sabia onde, disfarçadamente enrolado em meio a roupas, numa gaveta da peça ao lado, estava o revólver protetor.  Deu, então, de mão na arma, meteu o pé na porta e...surpresa!

Encontrou o marido Samuel e a guia Jackie em romance adúltero, praticado sobre lençóis não tão alvos e engomados como os do resort onde ela estendia as peças com competência.

A ideia da vingança foi instantânea, embora - para a consumação - Marisa (paraibana de nascimento) tivesse tido que pedir ajuda para amigas vizinhas da ruela apertada.

"As duas vítimas foram obrigadas a andar nuas, com as mãos atadas nas costas, pela ruas da localidade"  - foi uma das frases do relatório do inquérito encaminhado ao juiz da comarca. Tem também os depoimentos dos envolvidos e das testemunhas.  O delegado caprichou no relatório:

"Esta D.P. recebeu um  telefonema sobre o cometimento de atentado violento ao pudor que estaria ocorrendo, tendo em vista que um casal - sob a ameaça de um revólver, ostentado por uma mulher, caminhava amarrado, sem roupas, por ruas centrais. Despachada uma viatura, o inspetor Miguel constatou que o crime era outro, com o cometimento de grave ameaça perpetrada pela vítima de suposto adultério, que obrigou seu marido e a amásia a caminharem despidos. Todos foram conduzidos na viatura, sendo por esta autoridade mandadas buscar roupas nas casas dos envolvidos. Após tomados seus depoimentos, foram as partes liberadas".

Entendendo que estavam diante de dois delitos de menor potencial ofensivo, promotor e juiz conduziram o caso até o desfecho da transação penal, até porque Samuel e Marisa trocavam acusações no conflituoso terreno da (in) fidelidade conjugal. O casal, assim, se separou.

No cartório judicial da comarca pernambucana - que fica a 30 quilômetros do local dos fatos - conta-se uma piada em cima do caso arquivado: "esta é uma história de galinhas". Talvez tenha tudo a ver com o nome da badalada praia onde ocorreram os fatos.

A propósito: tem agências de viagens anunciando pacotes turísticos para a Páscoa em Porto de Galinhas (PE). Quem se habilita?
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Marco Antonio Birnfeld formou-se advogado em 1971, pela PUC-RS. Foi em 1983 o primeiro juiz leigo dos Juizados Especiais de Porto Alegre, na época chamados de Juizados das Pequenas Causas. Atuar ali (graciosamente) significava "prestar relevante serviço público". Em um ano na função, alcançou o expressivo índice de 82% de conciliações.

Em 1º de janeiro de 2014 completou dez anos de exercício no cargo de conselheiro seccional da OAB-RS - mandatos alcançados em quatro eleições sucessivas.

Abandonou a Advocacia contenciosa em 2012, decepcionado com "o crescimento jurisdicional da estagiariocracia". Reside à beira-mar em Itajaí (SC), mas mensalmente está em Porto Alegre, para atender compromissos com a Ordem gaúcha.

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