
Oportuno - e sob outros prismas - o registro feito ontem (2) pelo jornalista Ricardo Noblat, em seu conceituado blog.
* Ele conta que na última sexta-feira (27), o vôo WH 5851, da Webjet, marcado para decolar às 13h05 do aeroporto de Brasília com destino ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, proporcionou aos seus mais de 100 passageiros raros momentos de emoção. De raiva, mais do que de medo.
O avião ainda taxiava para decolar quando seu comandante acionou o sistema interno de comunicação e despejou sem alterar o tom da voz:
- Caros passageiros, sejam bem-vindos a bordo. Infelizmente, estamos com um probleminha. O freio automático do avião não funciona direito. Mas não se preocupem. O freio manual funciona perfeitamente.
Deveríamos voar para o Santos Dumont, mas a pista por lá é curta, como os senhores sabem. É bom não arriscarmos. Assim é preferível aterrizar no aeroporto do Galeão, que tem uma pista muito maior.
Tumulto a bordo. Muitos passageiros falando ao mesmo tempo em voz alta.
Erra quem pensar que todos reclamavam do risco de voar com o freio automático danificado. A maioria reclamava de ser obrigado a desembarcar no Galeão, aeroporto distante do centro do Rio.
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* Está diminuindo o intervalo de tempo entre episódios preocupantes que envolvem aviões - aqui e lá fora.
A Tam distribuiu a seguinte nota no úlimo dia 24:
"A Tam informa que o voo JJ8055 que partiu do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, às 17h09* desta terça, 24, com destino ao Rio de Janeiro, teve que retornar ao aeroporto francês devido a um problema técnico. O comandante seguiu o procedimento recomendado para a situação e não seguiu com o voo. O pouso ocorreu normalmente às 18h37. A Tam lamenta os transtornos causados aos clientes e reforça que está prestando toda a assistência necessária".
O que a limguagem burocrática da nota escondeu: o problema técnico foi detectado na turbina. O avião sobrevoou durante quase uma hora o Canal da Mancha despejando parte do combustível que o permitiria voar até o Rio. A manobra diminuiu o risco da aterrisagem no aeroporto Charles de Gaulle.
* Anteontem (1º) foi um garoto que no aeroporto de Brasília percebeu o vazamento de combustível de um avião da Gol antes de sua decolagem.
Avisado o comandante, os passageiros foram obrigados a desembarcar para voar em outro avião. A Gol se apressou a garantir que ninguém correu risco algum.
Lembra do Concorde, um dos dois aviões supersônicos de passageiros que operaram na história da aviação comercial?
O primeiro vôo comercial feito por ele ligou Paris ao Rio no dia 21 de janeiro de 1976.
Bons tempos aqueles!
Hoje, o maior e mais famoso avião em uso no mundo é o Airbus A380. Custou R$ 35,1 bilhões para ser desenvolvido ao longo de 10 anos. Pode transportar até 853 passageiros. Nenhum aeroporto brasileiro tem pista com o tamanho necessário para recebê-lo.
De resto, imagine 853 passageiros desembarcando de uma vez só em aeroportos como o Galeão ou mesmo Cumbica, em São Paulo... Seria impossível.
Estamos fora de rota. Com a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas às portas.
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