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Caco de churrasco

(13.12.11)

Charge de Gerson Kauer


Por Afif Simões Neto,

juiz de Direito (RS).                               

Numa campanha presidencial no tempo dos circos de cavalinho, aconteceu um churrasco para arregimentar os correligionários do velho PTB de guerra que até hoje é falado. O comício foi na fazenda do maior líder político da região missioneira.
 
Um mar de lenços brancos e colorados invadiu as coxilhas nos albores do dia. O eleitorado em procissão veio como podia: a pé, de carroça, reboque e em lombo de qualquer bicho que tivesse mais de duas patas.

Para vocês terem uma inópia do que foi a chegada do povedo trabalhista ao ato cívico, os técnicos da Nasa não souberam distinguir se as imagens enviadas pelo satélite à sala de controle eram do formigueiro de eleitores indo rumo ao palanque dos tribunos ou os fiéis atrás do andor na procissão dos Navegantes.
         
Carnearam uma ponta de gado bovino azebuado e 178 ovelhas Corriedale. Só de porco sangraram 21, fora dois, que fugiram pro mato já com o sabugo enterrado na periferia do coração, e ninguém mais soube informar o paradeiro dos elementos suínos.

O maquinário pesado do DAER abriu a fossa da churrasqueira, medindo perto de quilômetro e meio. Levaram a raso uma mataria de eucalipto só para fazer o braseiro, principiado com maçarico.

Cerca de 50 assadores de cada lado do valetão iam virando os espetos de pitangueira, enquanto uns 12 cuidavam do fogo. Quatro campeiros - uma dupla à esquerda e outra à direita - corriam a cavalo, alcançando cachaça à peonada que lidava no calor da fumaça, e trazendo notícia sobre o andamento do comício, pois quando terminasse as falas iam servir a indiada.

Dois capatazes passavam de camioneta supervisionando o trabalho e recolhendo nuns tonéis de 200 litros só o aperitivo: linguiça cortada a faca e bago de touro na brasa, sobra da última marcação na estância.

Secaram o banheiro do gado e lá prepararam a salmoura. Na hora da salga, em vez de guanxuma foi requisitada a mangueira de jato do caminhão de bombeiros.

Por falar em caminhão, a cachaça veio em dois pipas, e lá pelo meio da tarde os motoristas tiveram que ir à cidade reabastecer os tanques de 500 litros cada.

No lugar das gamelas, a carne foi servida em canoas, puxadas a cada três por trator de esteira.

Marcou época aquele churrasco!

A despeito do chá de boldo colocado à disposição em baldes de querosene, tem gente até hoje com azia por causa da cachaça e da carne gorda.

Mas fizeram o presidente!

afif@tj.rs.gov.br

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3 comentários
Ivan Wolschick (advogado)
Postado em 29.05.12 - 22:15:11

Baita causo... só faltou mencionar os caminhões-betoneira que misturaram a maionese e as patrolas que espalharam o sal grosso nos "costelões"!...
Claudei Antonio Maccari (advogado)
Postado em 14.12.11 - 17:42:36

Também gosto muito dos causos do Dr. Afif. No entanto, os comentários do colega Nei Antônio, onde este afirma tratar-se de mais uma mentira, não está correto, pois desde piá já ouvia o mesmo fato contado por meu pai, pois este esteve presente no comentado churrasco.
Nei Antônio Zardo (advogado)
Postado em 13.12.11 - 14:23:04

Esse magistrado é dos buenos. Leio, com muito, gosto seus ´causos´; mas esse, do baita churrasco, é digno do festival da mentira em Nova Bréscia, não para concorrer, mas mostrar àqueles gringos que pelo-duro também sabe ´atochar ´ . Parabéns, Dr. Afif!
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