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Sem julgamento, ações contra juízes prescrevem

(22.11.11)

O processo administrativo aberto contra um magistrado do Maranhão por trabalho escravo está parado desde 2007.
 
Em Minas, uma representação contra um juiz, suspeito de morosidade, arrasta-se desde 2005.
 
No Tribunal de Justiça do Amazonas, 10% dos processos foram abertos há pelo menos quatro anos.

Esses casos podem estar prescritos e mostram como funcionam as corregedorias de alguns tribunais. Órgãos que deveriam processar e punir juízes acusados de irregularidades retardam as investigações e contribuem para a impunidade. Matéria a respeito está sendo publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, hoje (22). O texto é do jornalista Felipe Recondo.

Quando decidiu divulgar que as corregedorias locais têm 1.085 investigações contra magistrados em andamento, o presidente do CNJ, Cezar Peluso, queria mostrar que os Tribunais de Justiça fazem seu papel e que a Corregedoria Nacional de Justiça, comandada pela ministra Eliana Calmon, não precisaria intervir com frequência para coibir irregularidades.

Mas uma radiografia nos números mostrou que a intervenção da Corregedoria Nacional nos tribunais, em muitos casos, tem razão de ser. Como são leves as punições administrativas para magistrados, o prazo de prescrição é curto – de seis meses a cinco anos.

A demora no julgamento desses processos, portanto, beneficia juízes responsáveis por diversas irregularidades, como morosidade e parcialidade no julgamento dos processos, passando por emissão seguida de cheques sem fundo, denúncias de trabalho escravo e atropelamento.

Por isso, Eliana Calmon pediu que as corregedorias expliquem por que há casos abertos antes de 2009 e que ainda não foram julgados. E, a depender do andamento desses casos, a corregedora pode avocar esses processos e julgá-los diretamente no CNJ.

Conflito

A divulgação dos números pelo CNJ serviria para mostrar que as corregedorias dos TJs são diligentes e punem magistrados que cometem irregularidades. Entretanto, os dados acabaram por dar subsídios à intervenção da corregedoria.

“Os números confirmam a veracidade das críticas que fiz, pois, além de revelar a existência de grande número de investigações e processos, mostram que em muitos casos a inoperância da corregedoria local ou do desembargador responsável pelo processo acarreta grande número de prescrições e consequente impunidade”, afirma a ministra.

A decisão de Peluso de pedir esses dados e publicá-los foi mais um episódio no conflito aberto com Eliana Calmon. Os dois têm posições antagônicas sobre o funcionamento do CNJ.
 
Peluso defende que a Corregedoria só processe magistrados em casos excepcionais e se as corregedorias não processarem esses juízes. Eliana quer manter a autonomia da corregedoria para, quando necessário, abrir investigações diretamente no CNJ, sem ficar a reboque dos Tribunais de Justiça.

Leia a matéria na íntegra na origem.
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1 comentário
Marcos Alves Pintar (advogado)
Postado em 22.11.11 - 15:32:25

É fácil acabar com isso. É só impor sigilo em tudo, como querem os magistrados, que ninguém mais ouvirá falar do assunto... Só as vítimas sofrerão caladas)...
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