
| Charge de Gerson Kauer |
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A mulher estava preparando o almoço, quando seu companheiro - pequeno comerciante - chegou. Faminto, não esperou nem a comida ser posta na mesa e foi logo retirando sua porção de arroz da panela. Minutos depois voltou, pegou o restante que ainda estava no fogo e jogou no lixo, alegando que "estava queimado". Começou a discussão.
O homem passou a agredir a companheira - socos e pisões - e até tentou esganá-la. Com os gritos de socorro, os vizinhos intervieram, mas como o impasse recrudescesse, chamaram a BM. Os envolvidos foram parar na Delegacia da Mulher, onde a vítima disse que ele só se conteve quando ela implorou que parasse, pois já estava quase sufocada.
Relatou também que “seguidamente sofrera ameaças e agressões de seu companheiro”, com quem vive desde 2001.
O homem trouxe outra versão. Disse que a briga começou porque ele sugerira à companheira que esquentasse a comida em banho-maria. Ela não quis e ele foi para o fogão e começou a mexer o arroz. A mulher então, aborreceu-se com a interferência e ela teria jogado a comida no lixo.
Na Justiça, a mulher confirmou que tinha apanhado do companheiro por causa do arroz, mas disse que "isso não acontecia mais" e que ela "o havia perdoado". O juiz e o promotor trocaram olhares.
No termo da audiência em processo aberto em função da Lei Maria da Penha - numa das varas criminais de Porto Alegre - consta que “o casal já reconciliou, tendo declarado a este Juízo que vive em harmonia”.
Por avaliar que ainda existe amor na união, o juiz decidiu dar ao homem a oportunidade de reparar o seu erro: fazer o arroz, a ser servido no almoço aos sábados, domingos e feriados, ao longo dos próximos três meses.
- Capriche e procure não dar motivos para que ela reclame, supostamente, do arroz queimado! - observou o magistrado.
O casal saiu feliz da sala de audiências. De mãos dadas.