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Pagando a humilhação com a mesma moeda

(15.04.11)

Charge de Gerson Kauer


O vendedor de peças de automóveis José Luís Pereira da Silva vai a uma agência bancária em São Paulo descontar um cheque de R$ 4 mil que havia recebido de um tio.
 
O caixa e o gerente dizem que a assinatura não confere.
 
O vendedor chama o emitente do cheque à agência e, só assim, consegue sacar o dinheiro. Como estava sujo de pó e graxa, José Luís sente-se discriminado.

*  *  *  *  *
 
Seis meses depois, José Luís volta à mesma agência para depositar R$ 4.279,96 em moedas. Ele carrega o dinheiro em 16 caixas (originalmente destinadas a acomodar uvas) que pesam, ao todo, 130 quilos. Incrédulos com o quadro, os funcionários do banco pedem que o depositante espere.
 
Meia hora depois, vem a informação: uma resolução do Banco Central impede depósitos individuais acima de R$ 191,00 em moedas.
 
*  *  *  *  *
 
José Luís não se dá por vencido. Passado um mês, retorna ao banco, agora acompanhado de 34 amigos, cada um com um saco de moedas com valor inferior aos tais R$ 191,00.
 
O gerente liga ao departamento jurídico do banco para saber se podia recusar-se ao recebimento.
 
- Não pode se negar ao recebimento ! - adverte o veterano advogado, logo explicando que "é contravenção penal punida no art. 43 do Decreto-Lei nº 3688 de 1941, que ainda está em vigor recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no país".
 
Todos os funcionários da agência - até mesmo o gerente - têm que ser mobilizar para contar as moedas. O depósito acontece.
 
Perguntado se não pensava em mover ação por danos morais, José Luís responde que o objetivo não era ganhar dinheiro da instituição. Mas - como disse textualmente - "a intenção é provocar o debate para evitar que outros brasileiros não passem pelo mesmo constrangimento".

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Fonte: Almanaque Brasil, publicação mensal da Andreato Comunicação e Cultura.

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1 comentário
Carlos Duarte (auxiliar administrativo)
Postado em 15.04.11 - 13:53:37

Boa tarde, bem pensada a estrategia do cidadão, às vezes só o contrangimento a ser causado já é de grande valia. Esse é bem daqueles típicos casos de filme o cara mal arrumado e mal atendido  o de "terno" é super bem atendido, e logo em seguida a surpresa, o cara de terno saca uma arma e anúncia ´é um assalto´. Não adianta, algumas pessoas e empresas não irão mudar, achar que uma roupa boa ou um bom gel no cabelo significa pessoa olha ai uma pessoa de bem.
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