O princĂ­pio de Lavoisier e a IVI


O renomado químico Antoine Lavoisier é parte obrigatória dos currículos escolares, notadamente nas lições de Química.

Certamente o leitor atento que passou pelo Ensino Médio estudou, ou escutou, o famoso postulado “na natureza nada se se cria, nada se perde; tudo se transforma”. O autor da frase viveu muito antes do surgimento do Grêmio, mas é inegável que os membros da IVI (“Imprensa Vermelha Isenta”) foram notáveis alunos e vêm aplicando diuturnamente o enunciado de Lavoisier quando o assunto gira em torno do Mundial de Clubes FIFA.

Isto porque o Brasil assiste perplexo a transformação – quase química - do famoso esquadrão madrilenho em “o pior Real Madrid dos últimos 10 anos”. A IVI, por intermédio de suas manchetes, tem transformado o maior campeão do século XX em pó, num verdadeiro Ibis.  Desconsideram a presença do gajo Cristiano Ronaldo, recentemente nomeado melhor jogador da Europa pela quinta vez.

Da mesma forma, não há referência de que o Real Madrid é o atual bicampeão da Champions League, feito que não ocorria  desde a consagração do time do Milan em 1990. Assim como num laboratório de experimentos, tentam pegar uma massa  e transformar em algo que ela não é, subvertendo a sua essência.

A intenção é óbvia: em caso de vitória tricolor, pegamos um time em um momento frágil; na hipótese de derrota, “quanta incompetência”. Mas nós não caímos nesta! Aqui é um espaço de resistência.       

Ainda, a própria IVI vem repetindo comportamento do mundial conquistado pelo imortal em 1983. Naquela oportunidade a massa objeto de transformação foi o Hamburgo, reduzido a um time “sem expressão”. Da mesma forma que no experimento atual, o Hamburgo transformado pela imprensa perdia sua essência, convertendo-se em qualquer coisa.

Porém, novamente a IVI não consegue vencer a intransponível barreira dos fatos: o Hamburgo havia ganho da poderosa Juventus, de um tal Michel Platini, na final do torneio europeu e o algoz do Brasil em 1982 (Paolo Rossi).

Escalação do Juventus: Zoff, Gentile, Cabrini, Bonini, Brio, Scirea (capitão), Bettega, Tardelli, Rossi (Marocchino), Platini, Boniek. O Hamburgo contava no seu elenco com a estrela Felix Magath, participando da campanha da Alemanha nas Copas do Mundo de 1982 e 1986 e era comandado por Ernest Happel, que dirigiu a seleção holandesa em 1978. Ressalte-se que era bicampeão alemão quando enfrentou o Grêmio.

Portanto, os espanhóis não devem se sentir atacados com a atitude de parcela importante da imprensa gaúcha. Não é o Real Madrid que eles querem atacar e tampouco o Hamburgo, mas sim o Grêmio e sua campanha vitoriosa.

Este fenômeno químico certamente envaideceria Lavoisier. Acredito que o mundo acadêmico deva ter suas vaidades e seus vaidosos notórios, principalmente agora em um mundo de rápida disseminação de informação. O francês caso vivo e presente na nossa província, esta semana possivelmente berrariam para os seus colegas mais céticos de outrora e para aqueles que desmereceram sua contribuição para a ciência. Afinal, uma atitude humana.

Ainda, atestaria a existência de vermelhos fardados na imprensa local e assinalaria: “Na IVI nada se perde; sempre transformam”.