Porto Alegre, 07.06.13 - Criação de Marco Antonio Birnfeld - Tel. (51) 32 32 11 00 - 123@espacovital.com.br
|
Google
Página inicial
Imprimir
Enviar
Aumentar fonte
Fonte padrão
Diminuir fonte
Compartilhar nas redes sociais
A namorada de Toffoli, no dia de sua posse como ministro do STF

(06.08.12)

(Foto: Reprodução)
Em setembro de 2005, Dirceu passa uma procuração para a advogada Roberta Rangel defendê-lo

A edição da revista Época publica uma matéria que pode se transformar em um documento da históra brasileira. Entre os destaques está uma foto - batida pelo jornalista U. Dettmar, servidor do STF, mostrando - na solenidade de posse - Toffoli ao lado da namorada Roberta Rangel, quando o novo ministro era cumprimentado por Lula.
 

Em outubro de 2005, no ápice do escândalo do mensalão, o ainda deputado José Dirceu tentou barrar no STF o processo que enfrentava no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Dirceu era acusado de quebrar o decoro parlamentar, em razão de seu envolvimento com a organização criminosa do mensalão. O processo no Conselho de Ética era a última etapa antes da cassação de seu mandato no plenário da Câmara.

A revista Época conta, em sua edição desta semana, ter descoberto na época o nome da advogada à qual Dirceu recorreu para salvar seu mandato no Supremo. Chama-se Roberta Rangel, então sócia de José Antônio Dias Toffoli - um advogado do PT que assessorava Dirceu na Casa Civil, e que deixara a Casa Civil junto com o chefe.

Atualmente, Roberta é namorada de Toffoli. E como se sabe Toffoli é um dos 11 ministros do Supremo que julga daqui o processo do mensalão.

A revista teve acesso ao pedido formulado pela defesa de Dirceu. Um mandado de segurança foi protocolado no Supremo em 5 de outubro de 2005. Uma semana antes, em 28 de setembro, Dirceu assinara uma procuração conferindo a Roberta Rangel poderes para representá-lo.

Toffoli, o ex-assessor de Dirceu, retomara às atividades de advogado em agosto. Ele atuava como sócio da namorada Roberta Rangel no escritório Toffoli & Rangel, segundo ele mesmo informou em currículo enviado ao Senado quando de sua indicação para o STF em 2009. Nos registros da seção do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, o escritório foi formalizado em 13 de setembro de 2005.

No pedido ao Supremo, Dirceu argumentou que o processo de cassação do mandato dele da Câmara era conduzido de "forma arbitrária e ilegal". Sob a relatoria do ex-ministro Sepúlveda Pertence, o Supremo negou o pedido para suspender o processo na Câmara. Logo depois, em dezembro de 2005,

Dirceu foi cassado. Por questões meramente formais, o mandado de segurança ainda tramitou alguns anos. Coincidentemente, com a aposentadoria de Sepúlveda Pertence, Toffoli assumiu a relatoria. Com a posse do namorado no STF, Roberta Rangel abandonou a causa. Em 2010, o processo foi arquivado.

(Foto: Reprodução)

Uma semana depois, Roberta entra com um mandado de segurança em favor de Dirceu no STF


(Foto: Reprodução)

Trecho do currículo oficial do ministro José Antonio Dias Toffoli no STF. O documento mostra que, em 2005, Toffoli era sócio do escritório de Advocacia de Roberta Rangel quando ela defendia José Dirceu. A sociedade foi registrada em 13 de setembro daque



Toffoli fez carreira no PT e chegou ao Supremo graças, em larga medida, aos serviços prestados por ele ao governo Lula. Nos anos 90, foi assessor da liderança do PT na Câmara. No governo Lula, além de assessor de Dirceu na Casa Civil, foi advogado-geral da União. Também advogou para Lula nas campanhas eleitorais de 1998, 2002 e 2006.

Na campanha de reeleição de Lula em 2006, Toffoli chegou a escrever, referindo-se ao mensalão, que “as acusações jamais ficaram comprovadas”. A peça também foi subscrita por Roberta Rangel.
Roberta, além de advogar para Dirceu, também atuou na defesa dos ex-deputados Professor Luizinho (PT-SP) e Paulo Rocha (PT-PA), ambos réus no mensalão. Em 2007, quando os ministros do Supremo discutiam se recebiam a denúncia do Ministério Público, ela fez a defesa de Professor Luizinho no plenário da corte.

Roberta acompanhou Toffoli na posse dele no tribunal, em 2009, e recebeu os cumprimentos a seu lado após a cerimônia. Ministros do Supremo ouvidos por Época contam que ela frequenta a área da corte reservada aos juízes e seus cônjuges. Se ficasse comprovado que os dois mantêm uma união estável, Toffoli, pela lei, seria obrigado a se afastar do julgamento.

Contrapontos


Procurados pela revista Época, Toffoli e Roberta não responderam às questões até o horário estipulado para a publicação da reportagem.
 
Leia a íntegra da matéria diretamente no saite da revista
 

Página inicial
Voltar ao topo
Imprimir
Enviar
Aumentar fonte
Fonte padrão
Diminuir fonte
3 comentários
Tábata Haag (estudante de Direito)
Postado em 07.08.12 - 14:10:06

Na verdade o julgamento do mensalão é a forma que eles têm de mostrar que são éticos e dignos da cadeira que ocupam! Mas sabemos que isso não vai acontecer, pois Dias Toffoli já deveria ter se declarado suspeito.
Charles Reis (serventuário da Justiça)
Postado em 06.08.12 - 18:06:19

Expresso minha reação a essa "raça" que assolou o Judiciário com a união em torno da ideologia vermelha.
Romarko José Brum da Silveira de Azevedo (advogado)
Postado em 06.08.12 - 17:10:08

Dizer o quê? Embora despiciendo, vou chover no molhado e ratificar que é um absurdo, uma imoralidade, uma ilegalidade sem comparação este em.. ministro não dar-se por impedido em virtude de sua ligação íntima com uma das advogadas de defesa. Talvez tanto ou maior absurdo seja o fato de os em. ministros colegas do primeiro, não exigirem esta postura por parte daquele. É procedimento de ordem pública, na qual a suspeição de um ministro da Suprema Corte está em pauta, e todos os ministros se calam!
|
(Horário de Brasília)
Av. Praia de Belas, 2266, 8º andar - Cep: 90110-000 - Porto Alegre - RS - Brasil
Desenvolvido por Desize.