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O vendedor que veio da roça

(19.06.12)


O douto desembargador aposentado esmera-se ao passar otimismo aos alunos pupilos na escola de acesso à magistratura. Entre as histórias que conta, uma dessas chamou a atenção desde o início da narração. Tratava do caso de um excelente vendedor, oriundo da roça.
 
*  *  *  * *

O garotão candidatou-se a um emprego numa grande loja da cidade - era a maior rede do mundo, tudo podia ser comprado ali.

O diretor comercial perguntou ao rapaz:

- Você já trabalhou alguma vez?

- Sim, eu fazia negócios na roça.

O gerente gostou do jeitão simples do moço e garantiu:

- Passe nos Recursos Humanos para treinamento de alguns dias. Você começa a vender na segunda-feira e, no final do dia, vem à minha sala para conversarmos.
 
O rápido curso de motivação foi longo e árduo para o rapaz. Na segunda-feira, o diretor chamou o novel colaborador para verificar sua produtividade e perguntou:

- Quantas vendas você fez hoje?
 
- Uma!

- Só uma? A maioria dos vendedores faz de 30 a 40 vendas por dia. De quanto foi a sua venda ?

- Nem somei exatamente. Foram várias notas fiscais. Mas passou de um milhão de reais.

- Verdade? Como conseguiu isso?

- O cliente entrou na loja e eu lhe vendi um anzol pequeno, depois um anzol médio e finalmente um anzol bem grande. Depois vendi uma linha fina de pescar, uma de resistência média e uma bem grossa. Perguntei onde ele ia pescar e ele me disse que faria pesca oceânica. Eu sugeri que talvez ele fosse precisar de um barco, então o acompanhei à seção náutica e lhe vendi uma lancha importada. Aí eu disse que talvez o carro pequeno dele não fosse capaz de puxar a lancha e o levei à seção de automóveis e lhe vendi uma caminhoneta com tração nas quatro rodas.

Perplexo, o diretor perguntou:

- Você vendeu tudo isso a um cliente que veio aqui para comprar um pequeno anzol?

- Não senhor. Ele entrou aqui para comprar um pacote de absorventes para a mulher, e eu disse: Já que o seu fim de semana está perdido, por que o senhor não vai pescar?´.  Aí comecei a vender o anzol pequeno, o anzol médio, o anzol grande... E o resto da história o senhor conhece.
 
*  *  *  *  *
 
O professor conclamou os candidatos ao concurso à magistratura a serem assim: estudiosos, assíduos ao foro, dispostos a atender a tudo e a todos, criativos e enfrentando as pequenas causas de brigas em condomínio até as grandes demandas de direito societário.
 
E completou com um recado:
 
- Vocês têm que ser assíduos ao foro, cinco dias por semana, dois turnos, disponíveis para receber advogados. Etcetera. E levar trabalho para casa.
 
*  *  *  *  *
 
Procura-se saber quantos aprenderam a lição.

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1 comentário
Paulo Torres da Silva (juiz de Direito)
Postado em 19.06.12 - 19:51:36

Essa história é recorrente na internet. É um bom exemplo de criatividade. E serve perfeitamente a vendedores e assemelhados. Mas, sem desmerecer o trabalho de vendas, a comparação é, no mínimo, infeliz. Poderá servir no dia em que o trabalho de um magistrado tiver a complexidade e a simplicidade de um trabalho como esse, e a prolação de uma sentença, na qual se decide sobre a vida de cada cidadão se tiver a mesma conseqüência, a mesma responsabilidade. E o tempo gasto for o mesmo de uma venda.
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